Paletes PBR, Europeu e CHEP: medidas, diferenças e impacto no projeto da caixa
Publicado em 25/06/2026 Atualizado em 11/08/2026 9 min de leitura
A escolha do palete vem antes da caixa, não depois. Compare medidas, alturas, capacidades e módulos dos paletes usados no Brasil e veja como derivar as dimensões da caixa a partir da base.
Resposta rápida
No Brasil o padrão dominante é o PBR-1, de 1.200 × 1.000 mm, com 145 mm de altura e capacidade dinâmica usual de 1.250 kg. O padrão europeu EUR/EPAL mede 1.200 × 800 mm e o americano GMA mede 1.219 × 1.016 mm (48 × 40 pol). Os paletes azuis CHEP seguem, no Brasil, o formato 1.200 × 1.000 mm. Como a caixa deve fechar dentro da base sem sobra nem saliência, o correto é escolher o palete primeiro e derivar as dimensões externas da caixa a partir dos módulos que dividem essa área.
Muito projeto de embalagem começa pelo produto, define a caixa e só no fim descobre que ela não fecha no palete. O caminho eficiente é o inverso: o palete é a restrição mais rígida da cadeia — ele define o caminhão, o porta-palete, a doca e o contêiner — e a caixa é a variável que se ajusta.
Medidas dos paletes usados no Brasil
| Padrão | Medidas (mm) | Altura (mm) | Carga dinâmica usual | Onde se usa |
|---|---|---|---|---|
| PBR-1 | 1.200 × 1.000 | 145 | 1.250 kg | Padrão da ABRAS; varejo e indústria no Brasil |
| PBR-2 (meio palete) | 1.000 × 600 | ≈ 145 | 600 kg | Ponto de venda, reposição em gôndola |
| EUR / EPAL 1 | 1.200 × 800 | 144 | 1.500 kg | Exportação para Europa, pool EPAL |
| GMA americano | 1.219 × 1.016 | ≈ 140 | 1.360 kg | Exportação para América do Norte |
| CHEP Brasil | 1.200 × 1.000 | 150 | 1.250 kg | Pool azul alugado, cadeia de bens de consumo |
| Descartável leve | 1.200 × 1.000 | 100 a 120 | 500 a 800 kg | Exportação sem retorno; exige fumigação ou material processado |
Atenção ao sentido de entrada
No PBR, a face de 1.000 mm normalmente é a de entrada da empilhadeira em armazenagem drive-in. Definir qual lado é o comprimento não é detalhe estético: muda o arranjo, a estabilidade e o encaixe no porta-palete.
Altura disponível: o número que ninguém confere
A altura de carga não é escolhida no armazém: ela é imposta pelo elo mais baixo da cadeia. Calcule sempre a altura máxima das caixas subtraindo a altura do palete do vão livre disponível.
| Restrição | Vão livre | Altura útil de caixas |
|---|---|---|
| Contêiner marítimo 20' / 40' standard | 2.390 mm | 2.245 mm |
| Contêiner High Cube 40' | 2.695 mm | 2.550 mm |
| Carreta baú rodoviária | 2.600 a 2.800 mm | 2.455 a 2.655 mm |
| Nível de porta-palete comum | 1.700 a 1.900 mm | 1.555 a 1.755 mm |
| Empilhamento duplo em piso | metade do pé-direito útil | conferir caso a caso |
Se a carga vai empilhar dois paletes, a altura útil se divide e ainda é preciso descontar a altura do segundo palete. É um erro comum projetar para o vão inteiro e descobrir na doca que só cabe um palete por posição.
Módulos: derivando a caixa a partir da base
A área do PBR, 1.200 × 1.000 mm, se divide em módulos regulares. Projetar a caixa para um desses módulos elimina overhang e underhang de uma vez.
| Divisão | Medida do módulo (mm) | Caixas por camada | Observação |
|---|---|---|---|
| 2 × 2 | 600 × 500 | 4 | Caixa grande, ideal para produto volumoso |
| 3 × 2 | 400 × 500 | 6 | Módulo muito usado em alimentos |
| 3 × 4 | 400 × 250 | 12 | Caixa alongada, boa para garrafas deitadas |
| 4 × 4 | 300 × 250 | 16 | Caixa pequena, alto número de unidades |
| 6 × 4 | 200 × 250 | 24 | Caixa de varejo, cuidado com estabilidade |
| 2 × 5 rotacionado | 600 × 200 | 10 | Exige conferir o sentido das abas |
Na prática você não usa o módulo cheio: desconte de 4 a 10 mm por eixo para folga de montagem e abaulamento, resultando em um underhang pequeno e controlado. Um módulo de 400 × 250 vira uma caixa externa de 396 × 246 mm.
Exemplo prático
Do produto ao palete em cinco passos
Produto: 6 garrafas de 1 litro, cada uma com 88 mm de diâmetro e 300 mm de altura. (1) Arranjo interno 3 × 2 dá 264 × 176 mm de conteúdo. (2) Folga de 4 mm por eixo e divisória de 3 mm: interna 275 × 185 × 305 mm. (3) Chapa onda B de 3 mm: externa 281 × 191 × 311 mm. (4) No PBR, 4 × 5 caixas fecham 1.124 × 955 mm — 76 mm e 45 mm de sobra, underhang grande demais. Ajustando a folga e passando a caixa para 298 × 198 mm, o arranjo 4 × 5 fecha 1.192 × 990 mm, com 8 e 10 mm de folga total. (5) Altura: 2.245 mm de vão útil ÷ 311 mm = 7 camadas, com 68 mm de sobra para o filme e a variação de altura.
Cuidados que evitam retrabalho
- Palete de madeira empena e ganha umidade: um PBR chuvoso pode estar 3 a 5 mm fora do nominal e pesar 5 kg a mais.
- Palete recuperado tem tábuas de larguras diferentes; se o vão entre tábuas coincidir com o canto da caixa, o apoio se perde mesmo sem overhang.
- Para exportação em madeira maciça, exija tratamento fitossanitário conforme a norma internacional NIMF-15 e o carimbo correspondente.
- Palete plástico costuma ser 20 a 40 mm mais baixo que o de madeira: recalcule a altura útil ao trocar.
- Registre no desenho da caixa o palete de referência e o arranjo previsto. Sem isso, a caixa será usada em qualquer base e o cálculo perde valor.
Monte o palete com as suas medidas
O Estudo de Paletização do Ondulabe já traz PBR, europeu, americano e CHEP, permite palete com medidas manuais e calcula arranjos, número de camadas, aproveitamento de área e altura total da carga.
Conhecer ferramentaPerguntas frequentes
- Qual a diferença entre PBR e CHEP?
- PBR é um padrão dimensional definido pela ABRAS, e o palete pode ser de qualquer fabricante. CHEP é um pool de aluguel, com paletes azuis próprios que, no Brasil, seguem o mesmo formato 1.200 × 1.000 mm. A diferença prática está no modelo comercial e no controle de qualidade, não na medida.
- Posso usar palete europeu no Brasil?
- Pode, e é comum em multinacionais e em cargas de exportação. Só considere que 1.200 × 800 mm aproveita pior o caminhão brasileiro típico e que o pool EPAL de troca é limitado no país.
- Quantas caixas cabem em um palete PBR?
- Depende inteiramente das dimensões externas da caixa e da altura útil. O caminho é calcular o arranjo por camada e multiplicar pelo número de camadas que a altura e o BCT permitirem — as duas restrições devem ser verificadas, não apenas o espaço.
- Vale a pena mudar o produto para fechar melhor no palete?
- Frequentemente sim. Uma alteração pequena na embalagem primária que permita ganhar uma coluna por camada pode reduzir o custo logístico por unidade em dois dígitos percentuais, muito mais do que qualquer economia de gramatura.
Sobre este conteúdo
Conteúdo produzido pela equipe do Ondulabe.com, plataforma especializada em projetos de embalagens de papelão ondulado (compressão BCT e ECT, paletização, plano de chapa, biblioteca FEFCO e laudos técnicos). Os valores citados são estimativas de projeto e variam conforme material, fabricante, norma e condição de ensaio — não substituem ensaios laboratoriais nem laudos certificados.
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